Ciência
22 Fevereiro de 2022 | 08h19

País realiza cruzeiro científico para avaliar a riqueza do mar

O Ministério da Agricultura e Pescas prevê, para o segundo trimestre deste ano, a realização de um cruzeiro de investigação, para avaliação das espécies marinhas de zonas não profundas, também conhecidos como recursos pelágicos.

A informação foi avançada, ontem, em Luanda, pela directora-geral do Instituto Nacional de Investigação Pesqueira e Marinha

Filomena Vaz Velho disse que a mesma terá como ponto de partida Angola, com destino aos mares da Namíbia, África do Sul e Gabão, um cruzeiro realizado com o apoio da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).

Conforme detalhou a directora Filomena Vaz velho, a parceria entre Angola e a  FAO, no sector das pescas,  remonta desde  1985, com o  Navio de Investigação norueguês "Dr. Fridtjoft Nansen”.

Neste âmbito,  garantiu, o cruzeiro está a ser preparado em conjunto  com o parceiro,  que sem cessar continua a apoiar na investigação da Economia Azul, com  maior realce na avaliação dos recursos pesqueiros.

Numa primeira fase, para a viagem, estão preparados 10 investigadores nacionais, que  no decorrer das pesquisas vão estudar o padrão de migração dos recursos e a sua  abundância ao longo de toda a zona de distribuição.

Quanto à equipa, Filomena Vaz Velho esclareceu que  no decorrer do estudo, os cientistas angolanos não vão participar somente nas pesquisas dos recursos nacionais, como também vão integrar as equipas de outros países afectos ao programa.

"Como sabem, os recursos não obedecem fronteiras, para termos uma visão o que realmente acontece, não só com os recursos do país, como também os recursos partilhados”, realçou Filomena Vaz Velho, acrescentando que, em termos geográficos, Angola partilha os recursos com a Namíbia e África do Sul, devido a Corrente Fria de Benguela, e com o Norte e Gabão resultante a Corrente Quente de Angola.

Ainda sobre o rota , a directora - geral do Instituto Nacional de Investigação Pesqueira e Marinha, Filomena Vaz Velho avançou que, para o sucesso da missão,  a equipa está actualmente em negociação com os parceiros, no sentido de que,  o cruzeiro se inicie o mais cedo possível, e que, termine antes da Eleições Gerais que se avinha.

"Temos consciência, que este ano é de eleições, e antecipar o cruzeiro melhor ainda para que possamos ter a oportunidade de cumprir a nossa obrigação de cidadania”, frisou, recordando que, o cruzeiro em causa estava previsto para  2020, e 2021, o que não foi possível cumpri-lo devido a surgimento da pandemia da Covid-19, que na altura, mostrava um resultado de vítimas não muito desejados. 

Por sua vez, a representante da FAO em Angola, Gherda Barreto, disse que  o contributo da FAO ao longo do domínio técnico, metodológico e financeiro, para a implementação e desenvolvimento de vários projectos no sector das pescas, conseguiu alcançar resultados inovadores e concretos.

 

Produção de spirulina

A título de exemplo, realçou a representante, como resultado destaca-se a implementação da primeira nidade experimental de produção integrada de spirulina, que poderá contribuir no melhoramento do estado nutricional das populações mais vulneráveis, o centro de processamento de Formação  do N`golome, que contribui para o desenvolvimento da pesca artesanal continental, sobretudo, no fortalecimento das capacidades técnicas dos pescadores e mulheres processadoras, entre outros.

 

Indústria pesqueira

Ao proferir o discurso de abertura  no Workshop nacional da Amostragem Biológica da Frota Comercial, a secretaria de Estado para as Pescas, Esperança Costa disse que a indústria  pesqueira em Angola está a expandir-se  rapidamente, e que, apesar dos recursos pesqueiros serem renováveis, o processo de  auto-renovação é limitado. exigindo medidas de gestão que ajustem a capacidade de pesca a disponibilidade dos recursos.

Por um lado, quanto ao recursos pesqueiros, Esperança Costa avançou que  no pais um terço da proteína animal é proveniente do pescado, e que cerca de 80 por cento provem de espécies como as sardinelas, acavalas, cachuchos e outras de importância comercial defloradas, por  mais de um segmento de frota, dentre elas, artesanal, semi-industrial e industrial com uso de diferentes artes de pesca.

"Os oceanos têm sido tradicionalmente considerados como fonte segura de riqueza, oportunidades e abundância”, frisou, reconhecendo que, a vastidão do espaço oceano arrastou consigo a sugestão de que, existiria pouco ou nenhum limite ao seu uso, mais , graças ao crescente conhecimento do oceanos, que mudou  tal percepção conduzindo ao ciência da sua importância na criação de postos de trabalho, de riqueza, progresso social  e económico.


  Navio "Baía Farta” vai às oficinas para melhorias

O Navio de Investigação Científica "Baía Farta” encontra-se sob custódia do construtor que, em breve, irá levar novamente para um estaleiro com maior capacidade das existentes no país. A decisão, segundo a directora-geral do Instituto Nacional de Investigação Pesqueira e Marinha, Filomena Vaz Velho, foi fruto de alguns resultados ainda não  satisfatórios, que foram diagnosticados durante o último cruzeiro realizado pelo Ministério da Agricultura e Pescas.

"O cruzeiro em causa realizou-se  em Agosto do ano passado e no decorrer da viagem notou-se alguns aspectos que nos deixaram insatisfeitos. Logo, é preciso afinar ainda mais para chegarmos ao ideal”, frisou.

Filomena Vaz Velho acrescentou que durante o percurso  do navio "Baía Farta” cobriu-se a zona Norte por completo, onde obteve-se bons resultados.