Política
24 Maio de 2022 | 08h38

MPLA propõe Esperança da Costa para Vice-Presidente da República

João Lourenço confirmado como o cabeça de lista do partido para as eleições de Agosto e duas mulheres indicadas aos cargos de Vice-Presidente da República e presidente da Assembleia Nacional. A lista foi aprovada pelos membros do Comité Central com 580 votos a favor, correspondentes a 94.5 por cento, 23 votos contra e 11 abstenções

O Comité Central do MPLA, reunido, ontem, em sessão extraordinária orientada pelo líder do partido, João Lourenço, aprovou a lista geral de candidatos a deputados à Assembleia Nacional, para o quinquénio 2022/2027, onde indica, igualmente, Esperança Maria Eduardo Francisco da Costa, actual secretária de Estado das Pescas, para o cargo de Vice-Presidente da República, e Carolina Cerqueira, para o de presidente da Assembleia Nacional.

A lista, que confirma João Lourenço como o cabeça o cabela de lista e as duas mulheres no segundo e terceiro lugares, foi aprovada com 580 votos a favor, correspondentes a 94.5 por cento, 23 votos contra e 11 abstenções. Na eventualidade de o MPLA sair vitorioso das próximas eleições gerais, fará história, tendo em conta que será a primeira vez, desde a independência, que duas mulheres vão desempenhar altas funções de Estado, nomeadamente nos cargos de Vice-Presidente da República e de presidente da Assembleia Nacional.

Ao discursar na abertura da reunião, João Lourenço esclareceu que a não indicação de Bornito de Sousa para o mesmo cargo deve-se ao facto de o mesmo ter manifestado esta intenção, logo no princípio do actual mandato, decisão que disse respeitar. Ao referir-se à lista de candidatos do partido a deputados à Assembleia Nacional, o presidente do MPLA referiu que a mesma respeita o necessário equilíbrio do género e uma representação significativa de quadros jovens em fase de serem lançados para novas responsabilidades e desafios, o que, sublinhou, "só vem confirmar a aposta que o MPLA sempre fez na juventude angolana".

Os membros do Comité Central foram, ainda, informados sobre o projecto de programa de Governo e do manifesto eleitoral do MPLA, cuja aprovação foi remetida para a próxima sessão ex-traordinária, a realizar-se no dia dois de Junho. Em relação à proposta de programa de Governo e do manifesto eleitoral, João Lourenço fez saber que assentam no compromisso da contínua luta contra a corrupção e a impunidade, criação de ambiente de negócios, atracção de investimento privado directo, diversificação da economia, aumento da produção interna, na necessidade imperiosa da redução das importações e do aumento das exportações.

O presidente do MPLA disse que esta proposta de programa presta uma atenção particular à necessidade de se continuar a melhorar as infra-estruturas, a qualidade de vida dos angolanos, através do  investimento contínuo na formação do homem, no acesso à educação, aos cuidados de saúde, à habitação, bem como uma maior oferta de água potável, energia eléctrica e criação de maior oferta de postos de trabalho.

"Embora o mundo esteja a viver uma situação de crise económica, sem fim à vista, o nosso programa de Governo está focado em assegurar o crescimento e o desenvolvimento económico e social do país, nos próximos anos", assegurou o presidente do MPLA.

 

 ... Eleições em Agosto

Em relação à realização das próximas eleições gerais, previstas para Agosto próximo, João Lourenço disse esperar uma grande participação dos cidadãos eleitores, que estejam em condições legais de exercer o direito de escolha dos seus representantes na Assembleia Nacional e do Presidente da República. Referiu que, tendo em conta a realização do processo, de cinco em cinco anos, devia ser encarado como rotineiro, mas, pela importância que tem, na consolidação da nossa democracia e na vida dos cidadãos, cria, sempre, muita expectativa e ansiedade sobre a forma como vai decorrer, bem como os resultados que dele se esperam.

João Lourenço ressaltou que as eleições são um processo que envolvem vários actores, que vão desde a Assembleia Nacional, que aprova as leis que regem a organização das eleições, a Comissão Nacional Eleitoral, o Executivo, os partidos políticos concorrentes ao pleito eleitoral, o Tribunal Constitucional, o Presidente da República, que tem a responsabilidade de as convocar, nos termos da Constituição e da lei, e, também, do cidadão eleitor, que vota.

"Como acabamos de verificar, todos nós somos convocados pela Nação a fazer cada um a parte que lhe compete dentro das responsabilidades que tem", frisou o líder do MPLA.

 

 Agradecimento aos militantes do partido

O presidente do MPLA agradeceu o esforço empreendido pelos militantes, amigos e simpatizantes do partido, em todo o país, durante este período de pré-campanha, que, como avançou, deve servir, sobretudo, para a identificação dos pontos fortes e  fracos, a fim de se corrigir e aprimorar na campanha eleitoral. "Os nossos actos de massas têm um sucesso graças ao alto nível de organização, planificação e execução, que os comités do partido, a diferentes níveis, têm sabido imprimir", reconheceu João Lourenço, para quem este quadro constitui um importante barómetro para medir a popularidade e grau de aceitação que o partido goza junto do povo e da sociedade angolana.

"Vamos continuar a realizar este trabalho, que reputo de importante, mas não suficiente, porquanto devemos, paralelamente a este trabalho, realizar um outro, talvez mais importante, o trabalho de proximidade dos Comités de Acção do Partido, que nos vai  garantir que, no dia das eleições, os eleitores vão, realmente, comparecer nas Assembleias de Voto e votar de forma correcta", frisou.

O presidente do MPLA, João Lourenço, disse que, não obstante se esteja em época de frio, o calor da pré-campanha e da campanha, propriamente dita, "vai subir, no bom sentido", na medida em que se vai trabalhar mais e dormir menos, para garantir a vitória. "Mas temos de saber gerir o tempo e as nossas energias, gerir a carga física e emocional, gerir todo o tipo de recursos, quer seja humano ou logístico, no sentido mais amplo", realçou.

 

Descredibilização das eleições gerais

O presidente do MPLA de-nunciou que os adversários políticos estão a levar a cabo uma  campanha interna e externa de descredibilização das eleições, mesmo antes de elas se  realizarem, facto que considerou inédito na história das eleições no mundo, uma vez que, destacou, o contencioso eleitoral só pode surgir após a realização das eleições e nos termos definidos na lei. Entretanto, lembrou que estes mesmos adversários políticos são parte da organização das eleições, na medida em que estão na Assembleia Nacional, onde são aprovadas as leis, incluindo as eleitorais, na Comissão Nacional Eleitoral, onde têm comissários, a todos os níveis, sendo mesmo parte das deliberações tomadas a estes níveis.

João Lourenço realçou que a Constituição da República estabelece que as eleições gerais se realizem em Angola, de cinco em cinco anos, mas ela vai ao ponto de definir que, nesse ano eleitoral, elas devem ter lugar, necessariamente, no mês de Agosto, não sendo, por isso, uma questão de opção de qualquer entidade, mas uma obrigação legal plasmada não numa lei ordinária, mas, sim, na Constituição.

Referiu que algumas formações políticas estão a dar sinais, evidentes, de não estarem preparadas para disputar estas eleições, porque perderam tempo a promover e organizar actividades de desestabilização social, de vandalismo, que atentam mesmo contra a segurança pública e o património público, que a todos pertence.

"O MPLA continuará a se preparar, convenientemente, para a disputa eleitoral de Agosto do corrente ano, que o Presidente da República, a seu devido tempo, deve convocar, em respeito à Constituição que todos estamos obrigados a cumprir", frisou o líder do MPLA, João Lourenço.


Comité Central exalta acções

Os membros do Comité Central encorajaram o presidente a continuar com as acções em curso, com o espírito de "corrigir o que está mal, e melhorar o que está bem". No âmbito da implementação do Plano de Desenvolvimento Nacional 2018-2022, congratularam-se, ainda, com os resultados alcançados na materialização de vários programas de carácter socioeconómico, com realce para o PIIM, o KWENDA, o PRODESI e o PREI, pelas melhorias das condições de vida das populações, que reflectem substanciais contribuições no desenvolvimento sustentável do país, lê-se no comunicado final.

Fonte: JA