Ciência
18 Abril de 2022 | 11h09

Investigadores detetam primeiro caso de coronavírus em lontra selvagem

Animal diagnosticado com o novo coronavírus SARS-CoV-2, causador da Covid-19, foi encontrado em Valência, em Espanha.

De acordo com um artigo publicado pela revista Galileu, uma lontra norte-americana encontrada em Valência foi diagnosticada com o vírus Sars-Cov-2. Tratando-se do primeiro caso de Covid-19 em todo o mundo a afetar esta espécie de mamífero.

O diagnóstico surpreendente foi feito por investigadores da Universidade Cardenal Herrera em Valência, do Instituto de Biomedicina de Valência e da Universidade Autónoma de Barcelona, e foi originalmente divulgado em março na revista científica Frontiers in Veterinary Science.

O SARS-CoV-2 terá sido identificado através da administração de dois tipos distintos de testes de PCR, nomeadamente através do esfregaço da nasofaringe do animal e o que usa o tecido pulmonar.

"No sequenciamento do vírus, descobrimos alterações que já haviam sido identificadas em amostras de pacientes humanos", mencionou Consuelo Rubio, investigadora-chefe do Grupo de Virologia Molecular da Universidade Cardenal Herrera, num comunicado emitido à imprensa.

"O contágio pode ter sido provocado pelo contato com esgoto contaminado pelo vírus presente na área do rio habitada pela lontra", acrescentou.

Para efeitos daquela pesquisa, explica a revista Galileu, os cientistas analisaram amostras de restos de duas outras lontras encontradas em áreas distantes, no entanto cujo diagnóstico foi negativo.

Sendo que a mesma equipa de investigadores havia identificado em maio de 2021 dois casos positivos de SARS-CoV-2 em martas-americanas em dois rios na província de Castellón.

Os especialistas apontam que estes foram os primeiros casos na Europa de contágio de animais selvagens que não tiveram contato direto com pessoas infetadas. Na altura, os investigadores consideraram que muito provavelmente a origem do contágio se deveria ao contato desses animais aquáticos com águas contaminadas.

Segundo os cientistas, a nova descoberta da presença do vírus em lontras ressalta a importância de observar a possível contaminação de animais selvagens. O que por sua vez pode levar a que esses animais se tornem reservatórios do SARS-CoV-2, originando consequentemente novas mutações do coronavírus que podem ser retransmitidas a humanos.