Sociedade
18 Setembro de 2022 | 08h59

Dia Mundial da Limpeza: Associações e empresas nacionais unem forças por um planeta sem resíduos

A luta para a redução do número de resíduos sólidos no país, em particular em alguns pontos chaves, como as praias, tem sido uma tarefa, de quatro anos, feita por associações e empresas angolanas, em prol de um planeta mais saudável. Este sábado, por ocasião do Dia Mundial da Limpeza, voluntários destas organizações decidiram recolher toneladas de plástico na zona da Praia do Bispo.

A Associação Nação Verde, uma das participantes, assim como as empresas Coca-Cola Company e Refriango, conseguiram, com a acção, recolher mais de 800 quilos de resíduos, numa campanha que procurou, também, sensibilizar os habitantes da zona e de outros pontos da capital sobre os perigos do lixo, em especial o plástico.

A maioria das acções dos voluntários ficou limitada ao Distrito Urbano da lngombota e arredores do Memorial António Agostinho Neto, mais precisamente a Praia da Kinanga. Porém, outras acções foram realizadas, ainda ontem, em locais como a Praia Amélia, na Samba, por uma equipa da Eco Angola.

No acto, o presidente da Associação Nação Verde informou que a organização tem desenvolvido, nos últimos cinco anos, um trabalho de sensibilização da população sobre o tratamento do lixo e a importância da luta pela preservação do meio ambiente.

Nuno Cruz explicou que o trabalho feito pela associação inclui a realização, regular, de campanhas de limpeza nas ruas de Luanda, como forma de consciencializar a sociedade sobre como fazer uma melhor gestão dos resíduos sólidos que produz.

"Todos os anos neste dia, a associação tem feito acções de sensibilização e recolha de resíduos nas praias e comunidades, com maior realce aos de origem plástica, cuja degradação é prejudicial ao meio ambiente. Temos trabalhado com 200 associados e até ao momento conseguimos retirar, de algumas praias da capital, duas toneladas de plástico, na forma de bidões ou outros recipientes”, disse.

As limitações, explicou, têm sido a falta de recursos financeiros para trabalhar em mais áreas, pois o número de voluntários é maior que o de material usado pela associação. "As verbas disponíveis não são suficientes para comprar os sacos de lixo  ou as luvas para a recolha de resíduos à beira mar”, lamentou.

O objectivo da associação, acrescentou, é, também, alertar os dirigentes do país para a questão dos resíduos deixados nas praias, "que podem, no futuro, se tornar um perigo sem igual para a biodiversidade marinha e, consequentemente, à vida das pessoas”.

Humanamente, defendeu, é impossível recolher todo o lixo à beira mar num único dia. "Mas o importante é tirar uma boa parte e alertar a sociedade para ter cuidado com os locais onde deixa esse lixo”, informou, além de acrescer que os resíduos sólidos não devem ser deixados em locais impróprios, como as vias públicas e valas de drenagem.


O perigo da proximidade com os alimentos


Um dos maiores perigos de deixar resíduos sólidos nas praias está na vida marinha, em particular o peixe consumido. "Muitas pessoas estão habituadas a comer o peixe que vem do mar, chamado fresco, ao invés do congelado. Porém, é preciso ter noção que estes animais alimentam-se, às vezes, dos sacos plásticos jogados no mar, um veneno para estes e também para os consumidores finais”, disse, lembrando que dados divulgados dão conta que 13 mil pessoas já morreram em consequência, directa ou não, do lixo jogado no mar.

Como defensor do ambiente, Nuno Cruz acredita que a sociedade, em particular os usuários das praias, deve ter mais cuidado com o acúmulo de lixo. "Temos feito campanhas para explicar às pessoas sobre a responsabilidade destas quanto aos resíduos produzidos”, adiantou.

Para o ambientalista, é um problema que não pode ser apenas responsabilidade do Governo ou das operadoras de recolha de lixo. A Associação Nação Verde, continuou, trabalha, igualmente, na educação da população sobre como transformar estes resíduos e torná-los em recursos valiosos. "É um forma também de chamar atenção para os catadores de lixo, ainda bastante descriminados pela sociedade, porém são dos poucos que conseguem transformar os resíduos em fonte de renda familiar”.

Actualmente, afirmou, a sociedade está cada vez mais comprometida com os cuidados do ambiente. Este ano, defendeu, o Estado angolano participou na Conferência dos Oceanos, em Portugal, onde prometeu prestar mais atenção aos oceanos. "A Agência Nacional dos Resíduos e o Ministério do Ambiente devem ser actores mais activos no combate contra o lixo”.



Coca-Colaaposta na luta pelo ambiente

A directora de Marketing da Coca-Cola, Paula Matoso, disse que a empresa tem apoiado os projectos em prol do combate aos resíduos sólidos, com iniciativas próprias pelo ambiente e aposta na reciclagem.

A Coca-Cola, adiantou, colocou no mercado uma plataforma com vários projectos, nacionais e internacionais, para a implementação de acções mais activas à sustentabilidade ambiental. A meta, destacou, é diminuir o plástico em todo mundo. "Apesar de termos colocado um novo refrigerante, da marca Sprite, no mercado, em garrafa de plástico transparente, também tivemos em conta a preservação da biodiversidade e incentivamos os consumidores a reciclá-las”, disse.

A sociedade, acrescentou, tem de ser educada a mudar a forma de pensar e o incentivo para usar os "ecopontos” é uma saída. "Luanda deve ter estes contentores em vários pontos estratégicos, por serem uma forma de reciclar e combater o lixo”.

Os resíduos recolhidos durante a campanha de ontem, salientou, vão ser entregues à empresa Glopol, especializada no trabalho com materiais reciclados, em especial os de origem plástica. "A empresa vai dar o devido tratamento ao material recolhido, destruindo os inapropriados e reutilizando os demais”, explicou.


A importância  de uma nova legislação

Nuno Cruz acredita que a legislação angolana actual está ultrapassada quanto ao assunto da gestão de resíduos. "É preciso rever, com urgência, o plano estratégico para a gestão de resíduos, em especial os urbanos”, defendeu, além de pedir maior fiscalização das lojas, restaurantes e comerciantes, quanto à gerência dos resíduos.

Para o ambientalista, é preciso educar novamente a sociedade quanto ao impacto dos resíduos no futuro. "As associações protectoras do ambiente têm de repensar sobre como devem desenvolver uma ampla campanha de sensibilização e educação ambiental nas comunidades. Mas a lei tem um peso fundamental nesta luta”.

A educação ambiental a nível das comunidades é, para Nuno Cruz, uma ferramenta decisiva na melhoria do saneamento básico e no combate contra os resíduos sólidos urbanos. "É preciso fazer um trabalho mais activo de sensibilização, com o apoio de todos, em especial das igrejas, taxistas, professores, vendedores ambulantes e organizações civis”, destacou.

Outro ponto chave neste propósito, disse, é a reformulação da Unidade Técnica de Saneamento de Luanda. "É um sector que hoje não funciona e tem muitos meios parados, enquanto as valas de drenagem continuam a acumular lixo. As medidas para se inverter o quadro têm de ser tomadas agora, para evitar problemas maiores”, comentou.


Cubal acolhe o acto oficial de Benguela

O município do Cubal, em Benguela, foi a localidade escolhida para a abertura oficial de uma campanha de saneamento básico, em alusão às celebrações do Dia Mundial da Limpeza, numa iniciativa do Gabinete Provincial do Ambiente, Gestão de Resíduos e Serviços Comunitários.

A campanha, que após a abertura oficial foi realizada em simultâneo nos dez municípios de Benguela, com a limpeza de alguns mercados informais e a entrega de matérias de higiene aos detidos na penitenciária do Cubal, serviu para saudar o Dia Mundial da Limpeza, celebrado ontem.

O vice-governador para os Serviços Técnicos e Infra-estruturas, Adilson Gonçalves, a quem coube a responsabilidade de testemunhar o acto, disse que o Governo de Benguela tem trabalhado muito com voluntários na limpeza e conservação de algumas zonas, com base num programa para a educação ambiental dos habitantes da província. A data, referiu, é uma oportunidade para todos perceberem a responsabilidade que devem ter para manter limpo o local onde habitam.

Durante o acto, a administração municipal do Cubal recebeu alguns equipamentos para ajudarem no saneamento básico da localidade, como um tractor, um camião cisterna, uma retroescavadora, assim como enxadas e baldes de lixo.

A campanha decorre até ao final do mês, sob o lema "Limpemos a província de Benguela”.

 

 A efeméride

O Dia Mundial da Limpeza, celebrado a 17 de Setembro, é mais uma data cívica, criada para unir pessoas de 191 países em prol da limpeza das comunidades onde vivem. A iniciativa começou a ganhar forma no dia 2 de Setembro, quando em 2008 a fundação "Let’s Do It”, da Estónia, deu os primeiros passos para criar um movimento internacional.

Fonte: JA