Internacional
13 Junho de 2022 | 17h49

Brasil celebra 200 anos de independência com site, livros e exposições

O senado brasileiro vai durante o corrente ano apostar em várias iniciativas para celebrar os 200 anos da independência como um autocarro e website interactivos, lançamento de livros e exposições e uma sessão solene no Congresso.

No fim-de-semana passado foi dado o tiro de partida das celebrações organizadas pelo Senado sobre o bicentenário da independência do Brasil, com o lançamento de um website interactivo.

A cidade escolhida foi Petrópolis, com forte ligação a Portugal e que servia de refúgio de verão da corte quando a capital do império, em 1808, passou a ser o Rio de Janeiro.

"Petrópolis era originalmente cidade de Pedro", contou à Lusa o presidente da Comissão Especial Curadora do Senado para o Bicentenário da Independência do Brasil, Randolfe Rodrigues, referindo-se a D.Pedro I do Brasil, IV de Portugal.

Petrópolis também foi escolhida como tiro de partida das celebrações no Brasil como forma de homenagem às 233 vítimas das fortes chuvas, em fevereiro.

O website disponibiliza vídeos, podcast e documentos sobre a história da Independência do Brasil.

"Há um projecto que estamos idealizando para Junho" que é uma "biblioteca itinerante, um ónibus [autocarro] que vai andar pelas capitais brasileiras que vai retratar a independência, os momentos da independência", anunciou o senador.

Para além disso, estão programados Lançamentos em várias cidades das Vozes do Brasil.

Para além disso, explicou, o senado pretende "lançar uma exposição permanente que deverá ser de um grande artista brasileiro da contemporaneidade que retrate o Brasil actual, 200 anos depois, que deve ficar exposta permanentemente no Congresso Nacional".

No dia 8 de Setembro, no Congresso haverá uma sessão solene, na qual o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, e presidente da Assembleia da República, Augusto Santos Silva já confirmaram presença.

Quanto à questão que mais tinta tem feito correr, a possível vinda do coração de D. Pedro de Portugal para o Brasil, Randolfe Rodrigues afirmou que "é um capricho, mais da parte do Governo Federal do que da brasilidade".

O pacto de 1972, nas celebrações do 150.º da independência que culminaram com a transladação do corpo de D. Pedro o Brasil,  "está bem resolvido para todos os brasileiros: O coração fica em Portugal e o corpo aqui".

"É uma questão mais de simbologia. O problema é o seguinte é que o Governo está tentando procurar símbolos para retratar a independência", criticou, acrescentando, que "em vez dos símbolos para retratar a independência ele deveria aproveitar os 200 anos para fazer uma reflexão sobre a formação do povo brasileiro e o que o forjou".

"O Governo até por ausência de criatividade e de reflectir o que é o Brasil dos 200 anos busca encontrar uma espécie de bode expiatório do coração de D. Pedro", ironizou.

Na opinião do senador, o senador considera o que é importante celebrar e entender nestas celebrações é como foi formado o Brasil, com todas as suas misturas, o que constituiu a nacionalidade brasileira e "buscar as raízes de Portugal, entender como o império colonial português se expandiu".

A transladação do coração de D. Pedro, no âmbito das comemorações do bicentenário da independência do Brasil, só será apreciada depois de concluído "o processo de exame técnico", afirmou a Câmara do Porto, no dia 30 de maio, confirmando ter recebido o pedido oficial.

Em resposta à agência Lusa, a Câmara do Porto confirmou ter recebido o pedido oficial do Governo brasileiro para a transladação do coração de D. Pedro, no âmbito das comemorações do bicentenário da independência do Brasil.

A autarquia portuense salientou ainda que o assunto só será apreciado "depois de concluído o processo de exame técnico do coração", que está a ser levado a cabo pela Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP) e pelo Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar (ICBAS).

Fonte: JA