Política
05 Junho de 2022 | 10h11

Presidente do MPLA condena acções destinadas a descredibilizar as eleições

O presidente do MPLA reafirmou, este sábado, a obrigação de todos os partidos políticos, sem excepção, fazerem tudo para credibilizar as eleições de 24 de Agosto.

João Lourenço, que falava em acto de massas, na cidade de Mbanza Kongo, província do Zaire, condenou, igualmente, as acções levadas a cabo pelos adversários políticos que visam descredibilizar as eleições gerais que o país vai organizar este ano. 

"Nós sabemos que há quem esteja a fazer precisamente o contrário. Alguém que, sendo angolano, procura descredibilizar e manchar as eleições do seu próprio país”, denunciou, referindo que este comportamento não faz sentido, na medida em que estes mesmos partidos fazem parte da Assembleia, órgão que aprova as leis, e da Comissão Nacional Eleitoral (CNE), onde os partidos políticos com assento parlamentar estão presentes.

Referiu que o correcto seria que todos os partidos políticos e outras instituições, chamadas a trabalhar para o sucesso dessas eleições, fizessem tudo no sentido de as credibilizar. "As eleições não são apenas para um partido e sim para todos os partidos e para todo o povo angolano”, acentuou.

João Lourenço apelou, igualmente, a todos os partidos políticos a assumirem o verdadeiro papel de educadores, de pacificadores e a trabalharem não apenas com os seus militantes e membros, mas com todo o povo, pelo facto de não serem só estes que vão às urnas.

Disse que é obrigação de todos os partidos concorrentes a essas eleições trabalhar para que decorram dentro do maior civismo possível, onde cada um deverá procurar, com o programa, convencer o eleitorado de que é melhor para governar o país nos próximos cinco anos.

"Têm que ser os próprios partidos políticos a desencorajar qualquer tipo de violência, intolerância política. Essa responsabilidade é nossa. Não devemos deixar que as coisas aconteçam para depois chamar a Polícia para impor a ordem”, exortou.

 

Aposta na mulher

O Presidente do MPLA voltou a defender, ontem, uma maior aposta na mulher angolana, em todos os sectores do país, como reconhecimento das competências adquiridas e demonstradas. 

Discursando num acto político de massas no Largo Dr. António Agostinho Neto para mais de 100 mil pessoas, entre militantes, amigos e simpatizantes do partido, referiu que a mulher angolana já demonstrou que é capaz e útil em qualquer lugar da sociedade.

"Se tem capacidade igual ou superior a do homem, por que razão é preterida? É injustiça! E nós não queremos praticar injustiça, mas sim ser justo”, destacou o líder do MPLA, lembrando que a mulher angolana já foi muito discriminada no tempo colonial, com o argumento de que só devia aprender culinária e corte e costura, em detrimento do homem que podiam ir à escola.

"Vamos continuar a pensar assim? A mulher já provou que é capaz de fazer tudo que os homens fazem. Aliás, a mulher até faz algo que nós, os homens, não fazemos, que é gerar vida”, salientou. João Lourenço referiu que é por essa razão que o MPLA introduziu, pela primeira vez na história do país, o conceito de paridade de género.

"O MPLA é um partido que sempre fez a aposta muito séria em duas importantes franjas da nossa população, nomeadamente na mulher e nos jovens”, frisou, apresentando como exemplos mais recentes o equilíbrio de género conseguido dentro do Comité Central e na lista de candidatos do partido à Assembleia Nacional para o período 2022/2027.

"Entendemos que, quer o homem, quer a mulher, são todos seres humanos que merecem o mesmo respeito e a mesma dignidade, sobretudo, as mesmas oportunidades na vida”, ressaltou, salientando que a aposta nessa franja da população angolana que, de acordo com o último Censo são a maioria, está a permitir a presença de mulheres em sectores antes dominados, maioritariamente, por homens, como em Aviação, Mecânica, além do aparelho do Estado, onde vão aparecer em maior número, para fazer paridade com os homens, caso o MPLA vença as eleições.

Destacou, igualmente, a presença de uma mulher à frente da vice-presidência do MPLA, no caso Luísa Damião, como mais um indicador do valor que o partido dá a elas na sociedade angolana. "Então, se um dos maiores partidos políticos do continente africano tem uma mulher vice-presidente, Angola não pode ter, também, uma Vice-Presidente da República? Pode, sim senhora!”, aflorou João Lourenço, para quem o país pode, no futuro, vir a ter uma Presidente da República.

"Estamos a caminhar para aí e a consolidar, pouco a pouco, a influência da mulher, não só no nosso partido, mas na sociedade angolana, porque sabemos que ela é capaz e, por ser capaz, não pode ser discriminada”, frisou.

 

Fábrica de fertilizantes

O presidente do MPLA anunciou a construção, na província do Zaire, da primeira fábrica de fertilizantes do país, cuja pedra para o início vai ser lançada ainda este mês. Disse que vai ser uma grande fábrica de fertilizantes para resolver, em parte, a falta do produto no país, algo que acontece já no mercado internacional, como consequência do conflito entre Rússia e Ucrânia.

"E quando não há fertilizantes não há comida. Menos fertilizantes significa menos alimentos, porque a produção agrícola, em grande escala, exige a utilização de fertilizantes em grande quantidade”, esclareceu, acrescentado que o país não é, até agora, produtor de fertilizantes.

 

Centralidades

João Lourenço anunciou, também, a construção das primeiras duas centralidades na província do Zaire, sendo uma na cidade de Mbanza Kongo e outra no Soyo, com 1 500 habitações cada. Avançou, igualmente, a construção de um Instituto Superior Politécnico.

O presidente do MPLA prometeu, ainda, o melhoramento de algumas vias de comunicação da província, que têm causado muitas dificuldades aos automobilistas, com destaque para o troço Mbanza Kongo/Madimba, Nzeto/Soyo e da conclusão da ponte sobre o Rio Mbridge, vulgarmente conhecida como Ponte dos Mangais.

 

Novo aeroporto

O presidente do MPLA manifestou o desejo de ver o novo aeroporto de Mbanza Kongo concluído e aberto ao tráfego internacional a partir de 2024, tendo prometido que vai acompanhar as obras de perto. "Tenho pressa em ver este sonho realizado”, destacou, referindo que o mesmo vai dignificar a importância internacional que a cidade tem.

João Lourenço disse que a ideia, ao construir-se este aeroporto, é permitir que os cidadãos do mundo visitem a cidade de Mbanza Kongo, sempre que quiserem, sem precisar passar por Luanda. "Que possam voar de qualquer parte do mundo directamente para este aeroporto”, realçou o líder partidário, acrescentando que o novo aeroporto vai impulsionar o turismo cultural na província.

 

 Apresentada candidata a Vice-Presidente da República

O líder do MPLA apresentou, publicamente, pela primeira vez, a candidata do partido ao cargo de Vice-Presidente da República, para o período 2022/2027, Esperança da Costa, que foi muito aplaudida pela população do Zaire. "Está aqui perante vós, para começar a ser conhecida nesta condição de candidata à Vice-Presidente da República”, esclareceu.

Por seu turno, Esperança da Costa considerou a indicação a candidata do MPLA a Vice-Presidente da República uma grande responsabilidade, mas que está pronta e preparada para o desafio.

O líder do MPLA exortou, por outro lado, os militantes a intensificarem as campanhas de mobilização junto dos cidadãos para o voto no partido, através do contacto porta-a-porta, de modo a garantir uma vitória folgada nas eleições de 24 de Agosto.    

 

Perfil

A candidata a Vice-Presidente da República possui um doutoramento em Fitoecologia (Universidade Técnica de Lisboa, 1991-1997), mestrado em Produtividade Vegetal (Instituto Superior de Agronomia, Universidade Técnica de Lisboa – 1990-1992), licenciatura em Biologia (Faculdade de Ciências, Universidade Agostinho Neto – 1978-1985), além de ter feito ensino médio no Liceu D.Guiomar de Lencastre, Nzinga Mbandi, em Luanda (1972-1978).

É desde 2020 secretária de Estado para as Pescas, do Ministério da Agricultura e Pescas. Foi directora do Centro de Botânica da Universidade Agostinho Neto (2010-2020), directora nacional da Expansão do Ensino Superior do Ministério do Ensino Superior (2007-2010), vice-reitora para a Expansão Universitária da UAN (2002-2007), tendo coordenado no âmbito das suas funções a implementação de várias instituições de Ensino Superior em diversas províncias do país, e da constituição das 5 universidades públicas.

Fundadora do Centro de Botânica da UAN. Vice-directora de Assuntos Científicos na UAN (1997-2002), coordenadora nacional da Rede de Estudos de Biodiversidade (SABONET) da SADC, ponto focal para África Austral da Rede Internacional de Ciências (IFS), membro do Grupo de Trabalho do BENEFIT, responsável pela parte de formação da corrente fria de Benguela para Formação, professora titular da UAN.

Destaca-se, igualmente, na "folha de serviço” de Esperança da Costa, de 2009 a 2012, ter sido consultora para a Biodiversidade do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, de 2008 a 2012 consultora da ministra do Ambiente, entre 1999 e 2005 consultora do Ministério das Pescas e Ambiente.

Participou, também, de projectos relevantes, nomeadamente, coordenadora do mestrado em Agronomia e Recursos Naturais da Faculdade de Ciências Agrárias, que funcionou na Huíla.  Parceria UAN e Universidade Técnica, Lisboa. Participou da coordenação da implementação da Academia de Pescas, do Namibe, coordenadora da Criação do Centro de Botânica da Faculdade de Ciências.

A biografia partidária destaca-se, entre outras funções, a de fundadora, em 2006, do Comité de Especialidade dos Ecologistas e Ambientalistas; coordenadora do Grupo Técnico da Biodiversidade; Membro do CAP número 2 Rangel. Membro do Comité Central do MPLA, membro do Grupo de Acompanhamento do Secretariado do Bureau Político à província do Huambo; coordenadora do Grupo de Acompanhamento da OMA à província do Huambo; Membro do Bureau Político do MPLA; Membro da Direcção da Associação para o Desenvolvimento das Comunidades de Angola (APDCA).

Fonte: JA