Internacional
27 Maio de 2022 | 10h19

Putin acusa Ocidente de“roubo” de bens russos

O Presidente russo, Vladimir Putin, acusou, ontem, o Ocidente de “roubo” dos bens russos congelados e confiscados durante a ofensiva militar da Rússia na Ucrânia, avisando que nada de bom virá de tais medidas.

"A violação de regras e regulamentos no campo das finanças e do comércio internacional não leva a nada de bom. E, em termos simples, só trará problemas a quem o fizer”, afirmou, durante uma intervenção por videoconferência na sessão plenária do Fórum Económico da Eurásia, que decorre em Bishkek, no Quirguistão.

"O roubo de activos alheios nunca trouxe nada de bom a ninguém, especialmente àqueles que estão envolvidos nesse negócio indecoroso”, reiterou Putin.

As palavras do Presidente russo foram ditas dois dias depois de a Estónia, a Letónia, a Lituânia e a Eslováquia terem pedido aos seus parceiros da União Europeia (UE) que usem os cerca de 300 mil milhões de euros em activos do Banco Central da Rússia congelados na sequência das sanções impostas a Moscovo para financiar a reconstrução da Ucrânia.

Nesse dia, a presidente da Comissão Europeia (CE), Ursula von der Leyen, afirmou, no Fórum Económico de Davos (Suíça), que a UE "não deve deixar pedra sobre pedra” - inclusive, se possível, usando os activos russos congelados - no seu percurso para ajudar a Ucrânia "a renascer das cinzas”.

Além disso, a CE apresentou, na quarta-feira, propostas para confiscar os bens de multimilionários russos que tentam violar as sanções europeias, por exemplo, movendo os seus iates para fora da UE ou mudando a propriedade dos bens.

O comissário europeu da Justiça, Didier Reynders, acrescentou ainda que a UE tem incentivado os países a transferir os valores dos activos apreendidos para um fundo que ajude as vítimas da guerra na Ucrânia.

 

"É impossível  isolar a Rússia”

Vladimir Putin avisou, ontem, que é "impossível isolar a Rússia”, referindo-se às sanções contra o seu país por causa da ofensiva militar na Ucrânia, e sublinhou que nenhum "polícia global” travará a sua independência.

"É claro que entendemos as enormes vantagens tecnológicas (...) de estar dentro das economias desenvolvidas. Não vamos desistir delas. Eles querem tirar-nos de lá. Mas, no mundo de hoje, isso é irreal, impossível", disse Putin, durante o discurso por vídeo para o Fórum Económico da Eurásia, que decorre em Bishkek, capital do Quirguistão.

O Presidente russo sublinhou que "ninguém conseguirá isolar a Rússia”, criticando os países ocidentais por quererem que todos os outros "partilhem dos seus pontos de vista”.

Putin enfatizou que desconsiderar os interesses de outros países na arena política e de segurança "leva ao caos e provoca crises económicas”.

O líder russo explicou que nas economias desenvolvidas, nos últimos 40 anos, não se registaram os actuais níveis de inflação, enquanto o desemprego aumenta, lembrando que "as crises globais estão a agravar-se em áreas tão sensíveis como a alimentar”.

Putin denunciou que o Ocidente está a tentar "conter e enfraquecer” os países que procuram o seu próprio rumo.

"Nenhum 'polícia global' será capaz de travar este processo de desenvolvimento. (...) Não há forças que lhe sejam suficientes e, devido a problemas internos, perderão a vontade de o fazer”, argumentou Putin.

Sobre a saída de algumas empresas estrangeiras do mercado russo, Putin disse que esse cenário até pode ser positivo.

"Muitos dos nossos parceiros na Europa anunciaram a sua saída. Se olharmos para as empresas que estão a sair... até talvez seja melhor assim”, ironizou o líder do Kremlin.

As mais recentes multinacionais a deixarem o mercado russo foram a loja de roupas britânica Marks & Spencer, a cadeia de 'fast food' McDonald's, a seguradora Zurich ou a marca automóvel Renault.

Cerca de 1.000 empresas estrangeiras deixaram o mercado russo nos três meses de intervenção militar russa na Ucrânia, segundo cálculos da imprensa russa.

Só em Moscovo, há mais de 300 empresas estrangeiras que cessaram as actividades, segundo o Gabinete do Presidente da Câmara.