Internacional
18 Maio de 2022 | 15h56

Confrontos obrigam a retirada do novo Governo de Trípoli

O Governo nomeado pelo Parlamento da Líbia, apoiado pelo marechal Khalifa Haftar, anunciou, esta terça-feira, que está a retirar-se de Trípoli, sede do poder Executivo rival, por falta de segurança , pois mal os seus membros desembarcaram na capital do país registaram-se fortes combates.

O Parlamento líbio deu por fim o mandato do Governo liderado pelo empresário Abdelhamid Dbeibahaud, e nomeou um outro  cujo Primeiro-Ministro é Fathi Bashagha. Por seu lado,  Dbeibahaud que vem reiterando que só entrega o poder a um Executivo saído de eleições.

Segundo um comunicado  do Governo  do novo  Governo nomeado pelo Parlamento,  citado pela agência EFE, o Primeiro-Ministro, Fathi Bashagha,  e vários  governantes  já deixaram Trípoli "para preservar a segurança dos cidadãos”.

Logo depois da chegada  a Trípoli de integrantes do novo Executivo   registaram-se confrontos  na cidade entre grupos armados apoiados pelos dois governos.

"Al Nawasi", um importante grupo de milícias da capital, saudou a entrada do novo Governo.

O Executivo de  vigente, encabeçado por,  Abdelhamid Dbeibahaud, que surgiu no início de 2020, através de um processo político patrocinado pelas Nações Unidas, não reagiu ainda aos acontecimentos das últimas horas.

A conselheira especial do Secretário-Geral das Nações Unidas para a Líbia, Stephanie Williams, pediu, através  do Twitter,   "contenção", enfatizando "a necessidade absoluta de se evitar qualquer acção provocativa", s.

Num vídeo transmitido pela imprensa local, Fathi Bashagha, que já deixou Trípoli, disse que foi "muito bem recebido" em Trípoli e anunciou uma conferência de imprensa durante a qual faria "uma declaração de unidade ao povo líbio".

 Em Fevereiro, o Parlamento do Leste nomeou Fathi Bashagha, um antigo-ministro do Interior, como o Primeiro-Ministro. Este órgão é apoiado pelo poderoso marechal Khalifa Haftar, o homem forte do Leste do país, cujas forças tentaram conquistar a capital em 2019.

Entretanto, o Executivo instalado em Trípoli, liderado por  Abdelhamid Dbeibahaud  não arreda o pé da governação  do país, ignorando completamente a decisão do Parlamento que o  destituiu.

 Abdelhamid Dbeibah tinha como principal tarefa a organização das eleições legislativas e presidenciais, inicialmente marcadas para Dezembro passado. No entanto, as disputas entre os líderes políticos locais, particularmente sobre a base legal das eleições, levaram ao adiamento do pleito para data indeterminada.

 

Mais de 400 resgatados

 A Organização Médicos Sem Fronteiras anunciou, ontem, o resgate de mais de 400 imigrantes em sete operações diferentes nos últimos três dias em águas territoriais da Líbia, informou a EFE.

Entre os resgatados estavam 195 menores, incluindo dois com menos de um ano de idade. Membros das equipas de resgate do navio Geo Barents disseram que muitos dos que estavam a bordo foram vítimas de abuso sexual e físico, quatro dos quais embarcaram para a Europa com os ossos quebrados como resultado da violência sofrida na Líbia.

De acordo com o Ministério do Interior italiano, 12 mil e 881 migrantes chegaram à Itália por mar desde o início do ano provenientes da Líbia.

Dados fornecidos pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados velam que 542 migrantes morreram ou desapareceram enquanto tentavam atravessar o Mediterrâneo desde o início do ano.

Fonte: JA