Ciência
14 Fevereiro de 2022 | 16h25

Nova evidência descoberta pode indicar origem da vida na Terra

Cientistas descobriram que é possível que os peptídeos não tenham tido origem em nosso planeta, mas em nuvens moleculares cósmicas.

Uma equipe formada por pesquisadores da Universidade Friedrich Schiller de Jena e do Instituto Max Planck de Astronomia, ambos na Alemanha, descobriu uma nova evidência que poderia dar pistas sobre a origem da vida na Terra.

Em seu novo estudo, publicado no dia 10 de fevereiro, os cientistas detectaram que os peptídeos, versões menores das proteínas e um dos componentes básicos necessários para a existência da vida, podem não ter tido origem no nosso planeta, mas em nuvens moleculares cósmicas.

Os especialistas observaram que a vida terrestre poderia ter um componente cósmico: moléculas orgânicas formadas no espaço foram trazidas à Terra por meteoritos.

"Os cenários deste tipo fornecem uma alternativa interessante a um cenário de que apenas a Terra tem os materiais químicos orgânicos necessários para o surgimento de formas de vida", explicam os pesquisadores.

O estudo reconhece que a vida é constituída sempre pelos mesmos componentes químicos, entre eles os peptídeos, que "realizam várias funções completamente diferentes no corpo: transportar substâncias, acelerar reações ou formar estruturas estabilizadoras nas células" e, por sua vez, são compostos por aminoácidos. Sua ordem exata determina as possíveis propriedade de um peptídeo.

"Como surgem estas biomoléculas versáteis é uma das perguntas quando se fala sobre a origem da vida. Os aminoácidos, as bases nitrogenadas e vários açúcares que se encontram nos meteoroides, por exemplo, mostram que esta origem poderia ser de natureza extraterrestre. No entanto, para que se forme um peptídeo a partir de moléculas de aminoácidos individuais são precisas condições muito especiais", observaram os cientistas.

"A água tem um papel importante na forma convencional em que são criados os peptídeos", destacou o dr. Serge Krasnokutski, adicionando que, para que os aminoácidos individuais formem uma cadeia, é preciso eliminar uma molécula de água por vez.

"Nossos cálculos químicos quânticos demonstraram que o aminoácido glicina pode se formar através de um percursor químico, chamado amino ceteno, que é combinado com a molécula de água. Ou seja, neste caso, deve-se adicionar água no primeiro passo da reação e eliminá-la no segundo", explicaram.

A equipe também demonstrou que existe uma via de reacção que pode ocorrer em condições cósmicas e sem presença de água.

Fonte: Sputnik