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05 Julho de 2021 | 10h11

Burlas nas redes sociais com tendência a aumentar

O piquete da Direcção de Combate aos Crimes Informáticos do Serviço de Investigação Criminal (SIC) regista, em média, oito a dez queixas-crime de burla por semana, cometidos através das redes sociais.

O porta-voz do SIC/geral, superintendente Manuel Halaiwa, disse, ontem, ao Jornal de Angola, que os crimes cometidos nas redes sociais são, sobretudo, através do Facebook  e o WhatsApp, por serem as mais usadas em Angola.  
Acrescentou que os lesados têm idades que vão dos 18 aos 67 anos e são, maioritariamente, cidadãos nacionais (homens), entre funcionários públicos, privados, desempregados e estudantes. 


Segundo Manuel Halaiwa, entre Janeiro de 2019 a Maio do corrente ano, aumentou o número de crimes de burla cometidos com recurso à informática e às novas tecnologias de informação, sobretudo as redes sociais.  
As ameaças, difamação, injúria, calúnia, extorsão/chantagem, burlas no comércio electrónico, uso e abuso de cartão de crédito, débito ou garantia, associação criminosa e assunção ou atribuição de falsa identidade (perfis falsos) constam dos crimes mais comuns cometidos através das redes sociais. 

 
Só no mês passado, disse, o SIC remeteu ao tribunal oito processos-crime, para julgamento. Informou, ainda, que 457 processos-crime de burlas cometidos através das redes sociais estão em tramitação normal, para, posteriormente, serem remetidos, também, ao tribunal. 

 Manuel Halaiwa deu a conhecer que os crimes de burla cometidos através das redes sociais estão avaliados em milhões de kwanzas.


O cibercriminoso, vulgarmente conhecido por "hacker”, geralmente é um génio na área da informática, perito em computadores e programação, com um coeficiente de inteligência (QI) acima da média, introvertido, anti-social e que age pelo desafio de superação da máquina, segundo Manuel Halaiwa.  


"Este perfil evoluiu bastante nos últimos tempos e tem vindo a ser substituído por novas categorias criminológicas de delinquentes, não tão jovens, nem tão inteligentes, desprovidos de qualquer ética, cujo objectivo é extrair informação e usá-la ou vendê-la”, sublinhou. 


O porta-voz do SIC/geral frisou que na realidade angolana muitos suspeitos ainda não estão dotados de conhecimentos avançados de informática, sobretudo para o cometimento de crimes de grande envergadura, mas tendem a evoluir para o efeito.  


As motivações para os crimes através dos meios digitais é o lucro fácil, uma vez que o cibercrime é mais rentável do que muitos outros crimes, como, por exemplo, o de tráfico de drogas. 


Acrescentou que a maioria das organizações criminosas usam a Internet para coordenar os membros, branquear e dissimular condutas ilícitas, bem como recrutar ou contratar técnicos altamente especializados, usando também os cibercrimes como forma de financiamento. 


De acordo com o porta-voz do SIC/Geral, o novo Código Penal Angolano (CPA), em vigor desde 11 de Fevereiro de 2021, relativamente aos crimes informáticos, consagrou um conjunto de previsões, cuja moldura penal vária de dois a dez anos de prisão. 


Manuel Halaiwa apelou aos cidadãos no sentido de protegerem o computador e outros dispositivos electrónicos com softwares de segurança e escolher senhas complexas e não divulgá-las.
Proteger informações pessoais nas redes sociais, sobretudo, o nome, fotos, vídeos, textos, endereços habitacional, profissional, contas bancárias, correio electrónico e contactos telefónicos constam entre as recomendações de Manuel Halaiwa.


O porta-voz do SIC/Geral aconselha também no sentido de se ter cuidado com campanhas fraudulentas online a baixo preço de bens e serviços, promovidas por empresas ou particulares, sobretudo de residências, viaturas, mobiliário, electrodomésticos, vestuário, alimentação, medicamentos, artigos de beleza e decoração, bem como de bilhetes de passagens aéreas. 


Apelou ainda aos cidadãos para terem cuidado com as actualizações online de contas bancárias através do Internetbanking e de operações de multicaixa Express, assim como negar pedidos de amizade e marcar encontros com desconhecidos nas redes sociais. 

Autor: JAS

Fonte: Novo Jornal