Ciência
01 Março de 2022 | 17h58

Covid-19 acarreta sérios riscos para grávidas e bebés, diz estudo

Um estudo da Oxford Population Health, publicado na revista médica Acta Obstetricia et Gynecologica Scandinavica, sobre os impactos da Covid-19 em grávidas, aponta para vários fatores de risco associados à infeção grave nestas mulheres.

A investigação utilizou dados do Sistema de Vigilância Obstétrica do Reino Unido (UKOSS, na sigla original), com informações de todas as grávidas hospitalizadas com SARS-CoV-2, entre 1 de março de 2020 e 31 de outubro de 2021, em 194 maternidades do país. De 1,1 milhão de mulheres que deram à luz durante este período, 4436 foram internadas com Covid-19. Dessas, 65% apresentavam infeção leve, 21% infeção moderada e 14% desenvolveram infeção grave. No total, 22 mulheres morreram (todas com infeção grave por Covid-19) durante a gravidez, houve 59 perdas fetais (natimortos) e 10 bebés morreram no período neonatal.

As grávidas com infeção grave eram significativamente mais propensas a sofrer duros golpes na gravidez. Entre as mulheres com quadro grave, estas apresentavam mais hipóteses de parto prematuro (antes das 32 semanas de gravidez – 22,6% contra 2,7%, com infeção leve ou moderada), um risco 50 vezes maior de o parto ser induzido ou por cesariana, dar à luz por cesariana (76% contra 30%), natimortos (3,3% contra 1,2%) e um risco 12 vezes maior dos bebés serem internados numa unidade de terapia intensiva neonatal, em parte devido ao aumento de nascimentos prematuros.

Mais de 77% de todas as mulheres internadas estavam no terceiro trimestre. Entre as mulheres que deram entrada no hospital a partir de 1 de julho de 2020, só 43% com infeção grave e 26% das mulheres com infeção moderada receberam um antiviral, Tocilizumab, tratamento com esteroides ou anticorpos monoclonais.

Os autores do estudo sublinham que a vacinação contra a Covid-19 conferiu uma proteção significativa contra a hospitalização.